É muito ruim passar por coisas como essas, mas é muito bom saber que não estamos nelas também.


É muito ruim passar por coisas como essas, mas é muito bom saber que não estamos nelas também.


Todo mundo está falando sobre mudança de jornada de trabalho. Tem gente comemorando, tem gente reclamando, tem político fazendo discurso e tem empresário já calculando o prejuízo. Mas, no fim das contas, será que isso realmente vai mudar a vida da maior parte da população?
Eu tenho minhas dúvidas.

Muda a lei, muda a escala, mas o dia a dia do trabalhador brasileiro costuma seguir parecendo o mesmo. Continua acordando cedo, pegando trânsito, voltando cansado e tentando fazer o dinheiro render até o fim do mês. Mudar de 6×1 para 5×2 ou 4×3 soa bonito no papel, mas não resolve o custo de vida, o aluguel alto e a conta de luz que não para de subir.
O caminho natural é que as empresas repassem tudo para o preço final e que o brasileiro pague a conta no supermercado. Ninguém trabalha por caridade, mas por lucro. O que a gente já sabe é que, quando o custo da empresa sobe, alguém sempre paga. Você trabalha por lucro, não? A esperança está na automação do trabalho, pelo menos a minha está, eu não quero pagar mais caro em nada.
O ambiente de contratação no Brasil já era complicado antes e continua sendo. CLT pesada, encargos altos, processo trabalhista que vira roleta russa. Mudar a escala não resolve o medo que o empresário tem de admitir alguém. Muitos preferem deixar o negócio apertado ou investir em máquinas justamente pra não ter dor de cabeça com gente.
Haverá um aceleracionismo na aquisição de totens.
Enquanto discutimos escala, o McDonald’s, os bancos, as lojas e até o posto de gasolina estão colocando cada vez mais totens de autoatendimento. O ser humano está ficando caro e, em muitas funções, está virando opção secundária. Olhe à sua volta e verá isso acontecendo. A tecnologia está substituindo gente em serviço simples e repetitivos e isso não vai parar por causa de lei de jornada.
Quase nada. Essas decisões são feitas longe do alcance da população. Sindicatos, governo, grandes empresas e tribunais que decidem o futuro trabalhista da nação. O brasileiro comum não tem poder real de influência nisso. Ficar nervoso, compartilhar post indignado ou discutir no grupo da família não muda o resultado.

O mais inteligente é relaxar e focar no que você realmente controla: sua qualificação, sua reserva financeira, sua saúde e sua família. Escala de trabalho é importante para quem depende dela, mas não é o fim do mundo. Muitos homens já trabalharam 12 horas por dia, 6 dias por semana, e construíram patrimônio. Outros trabalham pouco e vivem quebrados.
No final, o que define a vida de um homem não é se ele folga na segunda ou na terça. É o que ele faz com o tempo que tem e com o dinheiro que sobra (quando sobra).
Respire fundo, trabalhe direito e cuida do que é seu. Faça com que o seu futuro seja tão bom que você não dependa mais de escalas para sobreviver. O resto é barulho.
Todo mundo já parou para pensar nisso enquanto rola o feed. O cara acorda, grava um stories tomando café da manhã numa varanda com vista pro mar, depois testa um carro zero, almoça num restaurante caro, malha com personal e termina o dia bebendo cerveja artesanal com os amigos. E no meio disso tudo ele ainda recomenda um relógio, um curso online ou uma cerveja que mudou a vida dele.
As empresas sabem exatamente o que estão comprando.

Elas não contratam influenciadores porque eles são os melhores no que fazem. Muitos mal sabem usar o produto direito. Contratam porque esses caras vendem a imagem de uma vida que nunca para de ser divertida.
Enquanto você levanta cedo, pega trânsito, briga com planilha no trabalho, volta pra casa cansado e ainda tem que resolver problema de encanamento ou discutir com a mulher sobre conta pra pagar, o influenciador está vivendo o sonho. Pelo menos é a parte que ele mostra.
O ser humano é fraco pra isso. A gente vê aquela sequência de momentos perfeitos e sente um desconforto. Por que a vida dele é assim e a minha não? Essa frustração é o combustível que faz o cara clicar no link, comprar o produto ou seguir o curso. Ao comprar um relógio, muitos acreditam na esperança de que, usando aquilo, ele também vai ter um pedaço daquela vida sem rotina chata.

A maior parte dos dias de qualquer pessoa é feita de coisas banais. Acordar, trabalhar, comer, resolver problemas e dormir. Até os ricos de verdade têm dias assim, só que eles não filmam a parte ruim.
O influenciador profissional filma só os 10% bons e edita pra parecer 100%. Ele grava 3 horas de conteúdo num dia e passa o resto da semana respondendo comentário, negociando propaganda e lidando com a pressão de ter que manter a aparência de vida perfeita. Muitos vivem ansiosos, endividados ou dependentes de validação constante. Mas isso ninguém mostra.
As empresas adoram isso porque é eficiente. Um anúncio tradicional mostra o produto e um influenciador mostra um estilo de vida onde o produto faz parte da diversão, principalmente com público jovem que ainda acredita que a felicidade é um feed bonito.
Entenda, o problema não é o influenciador existir, o problema é a gente começar a medir a própria vida pelo filtro dele.
Você começa a achar que está fracassando porque não viaja todo mês, não troca de carro todo ano e não tem gente elogiando seu café da manhã postado às pressas. Nessa você gasta dinheiro que não tem pra comprar o mesmo tênis, o mesmo relógio ou o mesmo curso que vai mudar tudo. Resultado? Mais frustração e menos dinheiro no bolso para ter coisas que você não gosta, com o dinheiro que você não tem, para agradar gente que, eventualmente, você nem gosta.
Vida boa não é ausência de rotina, vida boa é ter controle da própria rotina. Vida boa é acordar sabendo que suas contas estão pagas, que sua família está bem e que você tem liberdade pra escolher o que fazer, mesmo que seja um churrasco simples no quintal com os amigos de verdade.

As empresas vão continuar pagando influenciadores, isso faz parte do jogo do marketing moderno, mas você não precisa comprar a ilusão inteira, nem fazer parte disso.
Tente usar o que presta e ignore o resto. Quer um carro bom? Compre porque ele é confiável, não porque o cara do Instagram filmou acelerando na praia. Quer ficar em forma? Treine porque seu corpo agradece, não pra postar tanquinho que talvez você nem quisesse ter.
A vida ordinária, bem vivida, vale mais que qualquer feed perfeito.
No final das contas, quando a câmera desliga, todo mundo tem que lidar com a realidade e quem construiu patrimônio, caráter e relações verdadeiras, ri por último, sem plateia.
Se você acha que tá tendo um dia ruim, veja o que essas pessoas passaram e repense se está ruim mesmo.

Todo mundo que já acelerou uma caranga, gosta de carros, o que parece não ser o caso desse pessoal aqui.

