Pesar pela morte do Gugu e não pela de um desconhecido não faz de você um monstro

Na última semana o Gugu, um dos maiores comunicadores do Brasil, morreu, e como todo famoso, gerou muitos comentários e discussão.

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Uma das grandes discussões em torno do assunto é um debate que sempre acontece quando um famoso morre, a de que as pessoas se preocupam e sentem mais a morte de famosos do que de desconhecidos.

Neste momento surge a figura do “homem sensato”, que afirma que a morte de um famoso como o Gugu influencia tanto na vida dele quanto as mais de 100 mortes que acontecem por minuto no mundo, especialmente as das pessoas que morrem por pobreza.

Esta pessoa não está sendo sensata e moderada, mas simulando uma sensatez ilógica. Explico.

Primeiro de tudo que é óbvio que a morte de alguém que ela conheça, próxima ou distante, mas famosa, irá impactar mais na vida desta pessoa do que a de um desconhecido.

Ora, o mínimo que você sentirá ao saber do ocorrido é a indiferença, mas se você comentar o caso afirmando que não liga, a sua indiferença acabou, afinal, você precisou sinalizar que não se preocupa.

Quem não se preocupa, não se preocupa, não comenta, se comporta de forma indiferente, literalmente.

Ademais, é muito difícil ficar totalmente indiferente nestes casos, algum tipo de manifestação você terá, seja a de ficar triste ou a de comentar com amigos, que normalmente é um pesaroso, afinal, você não quer ser visto como o babaca que fala mal de um falecido que não fez mal a ninguém.

Claro que este texto se adequa a gente como o Augusto Liberato, um homem claramente bom.

Para o caso de desconhecidos, a primeira barreira que o “sensatão” esbarra é a de não conhecer a pessoa e sequer saber se sua morte, logo, não tem como lamentar algo que você não sabe que ocorreu, portanto, é ilógico afirmar que sente alguma dor por estas mortes.

Alguns desconhecidos fazem história e, aí sim, geram pesar e comoção nacional. É o caso da incrível professora Heley de Abreu, que deu a vida por crianças pequenas em Janauba, Minas Gerais. O fato de esta mulher ter ganhado notoriedade faz com que mais pessoas se preocupem com ela por conta de sua história e é aí que está o X da questão.

O fato de uma pessoa ser conhecida faz com que mais pessoas sintam pesar por sua morte e se preocupar com a alma de alguém que você conheça, mesmo que seja pela tv, não faz mal algum e faz mais sentido do que fingir não se preocupar apenas para parecer sensato.

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